Construção Saudável - Informativo

BOLETIM INFORMATIVO - ANO 10 - Nº 117/JUNHO 2015

Fetracompa dá apoio à interiorização

A Central de Serviços do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-PA) ganhou um reforço fundamental para expandir o projeto Construção Saudável, estendendo suas ações ao interior do Estado. Representantes da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário nos Estados do Pará e Amapá (Fetracompa) e de sindicatos a ele vinculados estiveram reunidos com a gestora do projeto, Eliana Veloso Farias e a equipe técnica e garantiram apoio irrestrito nos municípios do Estado. No encontro ocorrido na sede da Central, em Belém, na quinta-feira (28) e que durou toda a manhã, eles acompanharam todo o histórico do Construção Saudável, desde que surgiu como campanha preventiva até a aceitação e consolidação como instrumento socioeducativo para a qualidade de vida de profissionais do setor a partir de palestras realizadas diretamente nos canteiros de obras. O foco agora é a incursão e disseminação fora da Grande Belém. “A Fetracompa é importante para que possamos levar o projeto para todos os municípios, por isso chamamos sua direção e os sindicatos para que nos deem apoio como parceiros na proposta”, disse Eliana Veloso Farias, satisfeita com a receptividade da proposta e com a garantia de participação da entidade e dos sindicatos que a compõem. “Procuramos integrá-los porque necessitamos de sua contribuição e pela sua expertise [nos assuntos da área] na próxima etapa”, declarou ela. O presidente da Fetracompa, Aguinaldo do Carmo Alcântara, afirmou: “O projeto é da maior importância e terá todo o nosso apoio. “Exaltamos o projeto Construção Saudável pelo seu objetivo, resultados já obtidos e novas metas. A Fetracompa abraça essa causa que prioriza o trabalhador da construção num campo tão importante e indispensável, que é o da saú- de”, destacou ele, que está licenciado do cargo justamente por tratamento de saúde. O presidente em exercício, Antônio Fonseca, disse que o projeto “está cumprindo um papel importante e que terá a nossa parceria”. Ele estimou que até o dia 15 de agosto o projeto será disseminado entre os sindicatos da construção do Estado, cujos trabalhadores estão sendo recontados pela Fetracompa. A secretária do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e do Imobiliário de São Miguel do Guamá (Sintimig), Antonia Arcângela Costa Ataíde, gostou do que viu e ouviu sobre o Construção Saudá- vel. “Se depender de nós, o projeto será um sucesso na nova fase”, adiantou. “São Miguel, assim como outros municípios do interior, precisam desse serviço sobre saúde e que contribui para o crescimento e melhor qualidade da construção no Pará”, concluiu ela, que é conhecida como “Tuca”. Outros representantes da Fetracompa e sindicatos estiveram presentes, como de Salinópolis, Moju, Capanema e Santa Izabel.

 

Um projeto feito para o trabalhador

Antes de nascer em 5 de julho de 2011, o projeto Construção Saudável foi precedido por uma constatação tão surpreendente quanto preocupante. Na ocasião, a Central de Serviços do Sinduscon-PA já mantinha uma estratégia institucional com portfólio de ações direcionadas a gestores, profissionais de um modo geral, e um dos serviços que passaram a ser oferecidos refere-se ao segmento da saúde. A partir do atendimento ao trabalhador nessa área, foram
identificados casos de doenças consideradas erradicadas ou sob controle por órgãos oficiais, como hanseníase e tuberculose, além de dengue, até hoje um problema sazonal e endêmico no Brasil.

“Começamos a discutir internamente o que fazer, como propor ações para o enfrentamento disso”, disse Eliana Veloso Farias, gestora da Central de Serviços. “Nós tínhamos duas opções: ou não fazermos absolutamente nada e nos envergonharmos disso tempos depois, ou transformarmos um espaço de cidadania para o nosso trabalhador. Foi aí que surgiu o Construção Saudável”, informou ela, explicando a origem do projeto. “O primeiro passo surgiu de uma sondagem onde nós, tecnicamente com a nossa equipe de saúde, triamos os três temas que pudessem ser de maior relevância para discutir com o trabalhador”, recordou. Dengue, hanseníase e tuberculose foram os
assuntos escolhidos.

Ocorre que antes de tornar-se projeto, o Construção Saudável havia sido uma campanha bem-sucedida. O Ministério Público do Trabalho no Pará e no Amapá (MPT- 8ª Região) havia sondado o Sinduscon-PA para saber que ações poderiam ser desenvolvidas no cotidiano do trabalhador. A campanha – ou embrião do projeto – foi formatada graças uma consulta direta da Central de Serviços aos operários, que aprovaram a ideia. Com isso, nada menos que 153 canteiros foram visitados com os primeiros três temas abordados. “Desenvolvemos materiais educativos, treinamos a equipe, divulgamos a campanha, estivemos em campo e fomos surpreendidos com a aceitação”, destacou a gestora Eliana Veloso Farias.

“A partir daí demos um refinamento na campanha, entendendo que a gente precisava ouvir mais o trabalhador”, afirmou. “Fomos sinalizados, por todos os trabalhadores que alcançamos, que a experiência tinha sido muito boa. Um outro aspecto a ressaltar é que, desde aquela época, a quantidade e a qualidade de participação, de abordagem dos trabalhadores no ato das nossas palestras nos surpreendeu e nos fez entender que eles estão sedentos por informações. São muito interessados por experiências próprias, e o empresariado também. Ele sentiu que o nível de motivação do trabalhador melhorou muito”, declarou Eliana. “Nós evoluímos, ampliamos aquilo que se chamava campanha e que passou a ser um projeto. O trabalhador é o protagonista desse projeto”, sintetizou
a gestora.

As primeiras abordagens levadas aos 153 canteiros iniciais foram justamente voltadas aos cuidados com a dengue, tuberculose e hanseníase.

 

Diretoria não mede esforços pelo ideal

Criado há quatro anos, o projeto Construção Saudável sempre contou com o crédito da diretoria do Sinduscon-PA para desenvolver suas atividades. “Desde o início fomos imediatamente apoiados”, confirmou Eliana Veloso Farias, gestora da Central de Serviços. “Foi o apoio no sentido de acreditar que é um caminho muito importante para a gente estar pró- ximo do trabalhador, entender as suas necessidades e dificuldades”, afirmou.

“Ele é um projeto inédito no País, de autoria da equipe técnica do Sinduscon-PA, chancelado por sua diretoria por entender que o investimento no humano é de fundamental importância para o desenvolvimento do setor”, enfatizou, complementando: “Nem uma empresa, nem uma obra sobrevive sem o empenho, sem o envolvimento e, portanto, sem a qualidade de vida das pessoas que compõem a obra”.

De acordo com ela, o Sinduscon-PA já passou a destinar verba específica para desenvolver toda a logística do projeto, que já contabilizava 254 canteiros de obras visitados, mais de 20 mil trabalhadores beneficiados de 85 empresas, uma totalização expressiva e valor social inquestionável.

O primeiro desafio da ideia foi colocar uma campanha, evoluída para projeto, sem denotar cunho de interesse secundário. “Quisemos mostrar, de forma cristalina, quais eram os nossos objetivos e divulgar amplamente isso. Foi uma situação de fazer a grande massa conhecer o projeto”, disse Eliana. Ela projetou que após o segundo desafio, que foi implementar a sequência de módulos, o objetivo prioritário é levar agora o Construção Saudável – que por enquanto funciona basicamente na Grande Belém (capital e Ananindeua) – ao interior do Estado.

“Queremos expandi-lo porque é no interior que as informações são menores. E há uma grande suspeita de todos nós que essas dificuldades, tanto no acesso à informação como no nível de doença do trabalhador, seja maior. O nosso grande desejo hoje é fazer com que esse trabalho socioeducativo chegue aos municípios do interior do Pará para as construtoras. O Estado tem dimensões continentais e dificuldades de acesso. Esse é o nosso desafio presente”, considerou.

Ela reconheceu, no entanto, que para isso ocorrer, será preciso aumentar as parcerias e os investimentos em Tecnologia de Informação (TI). “Estamos estudando com muito carinho como transformar o nosso trabalho socioeducativo num trabalho a distância. Até quando o encontro presencial é necessário? E a partir de onde devemos utilizar a tecnologia já existente, que nos coloque a favor de disseminar informação e continuar colaborando nesse processo?”, questiona.

 

Plano de expansão será possível com mais adesão interinstitucional

O presidente do Sinduscon-PA, Marcelo Gil Castelo Branco, disse que a interiorização do Construção Saudável é mesmo uma questão de pouco tempo. “A Federação dos Trabalhadores [Fetracompa] já sinalizou de forma positiva, e vamos procurar outros parceiros para viabilizar com sucesso esse empreendimento tão importante para a classe”, disse.

Ele adiantou que o Sinduscon-PA fará a divulgação do projeto para todos os congêneres do País, como forma de divulgação das ações da experiência no Estado. “Queremos divulgar esse trabalho para outros Sinduscons porque já deu certo, principalmente pela aceitação e necessidade da clientela”, avaliou. O líder sindicalista disse que para aumentar a reserva destinada do órgão para o projeto depende de mais parceiros. “Vamos buscar mais apoios”, garantiu.

O vice-presidente do Sinduscon-PA, Alex Carvalho, disse que, ao analisar o nível de importância social alcançado pelo projeto, há várias razões. “É importante enaltecer o valor da mão de obra no setor da construção. São essas pessoas que impulsionam o setor e o fazem ser de vital relevância para a economia paraense”, destacou.

“Cuidar dessas pessoas traz um retorno muito grande não somente quanto à saúde, mas ao bem-estar, motivação e satisfação de trabalhar e produzir. Assim, penso que o Construção Saudável é hoje um projeto de grande importância para o setor da construção civil do Pará, pois nele residem boas práticas, com humanismo, respeito e dignidade aos trabalhadores em geral”, ressaltou, lembrando que o teor do projeto corresponde ao caráter da ISO 26000, a primeira norma internacional de Responsabilidade Social Empresarial, que começou a ser desenvolvida em 2005.

Alex Carvalho tem perspectivas sobre o avanço e alcance do Construção Saudável no Estado, inclusive com relações a inovações imediatas: “Apesar do nosso setor viver uma crise bastante preocupante e que vem impactando negativamente no crescimento, o projeto tem evoluído e, com isso, surgem novas demandas e novos desafios. Dentre eles, temos como meta atingir um maior número de municípios do Estado por meio de parcerias que possibilitem essa expansão”.

Sobre as condições para a expansão do projeto a curto ou médio prazo e estudos para projeção, ele garante: “O Sinduscon-PA abraçou essa causa, e temos metas audaciosas, projetos de expansão contando com parceiros que possam otimizar o processo. Mas todas as nossas ações estão sendo tratadas com muita responsabilidade, de modo que a qualidade do serviço prestado seja sempre a nossa maior referência”, observou.

OPÇÕES - Para o avanço do Construção Saudável, novas alianças com instituições de ensino superior estão nos planos. “Temos hoje parceria com as universidades e as escolas técnicas profissionalizantes no que diz respeito à composição da equipe técnica”, lembrou a gestora do projeto, Eliana Farias.

“Essa é uma estratégia de expansão que não será construída unicamente pelo Sinduscon. Vamos convocar mais entidades que representam esses trabalhadores”, frisou. Ela informou que contatos serão feitos com a Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e Câmaras de Vereadores interioranas.

 

“Clientela” pede e ganha dois módulos

Com a certeza de dever cumprido, a conscientização que prevalece na Central de Serviços é que o projeto Construção Saudável oferece temas em suas palestras socioeducativas que contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores do setor. Tendo uma receptividade cada vez mais crescente, sempre embasada em pesquisa e divulgação junto ao público-alvo – e que não se restringe exclusivamente aos canteiros –, atualmente há um total de doze temas em módulos independentes. O terceiro acaba de ser lançado, e o quarto módulo será realizado no segundo semestre, possivelmente logo no início. Tudo para satisfazer a “clientela”.

“O nível de atração do trabalhador pelo Construção Saudável foi demonstrado na pesquisa e a pertinência dos pedidos deles é tão grande que nos vimos impossibilitados de lançar um módulo e achar que com isso não estaremos respondendo completamente à necessidade do trabalhador apurada em sondagem. Então vamos lançar o quarto módulo nos próximos meses, com temas sobre drogas ilícitas. O trabalhador pediu e será atendido”, garantiu a gestora da Central de Serviços Eliana Veloso Farias.

“Estamos abertos a qualquer tema que venha melhorar a qualidade de vida do trabalhador”, adiantou. “Hoje nós estamos tratando muito sobre doenças. Mas se de repente o trabalhador entender que a partir dos próximos módulos o interesse não seja mais tratar sobre enfermidades, mas sobre ginástica laboral, por exemplo, isso se encaixa perfeitamente em nosso conjunto de interesses”, assegurou.

Uma das características mais marcantes do projeto é a independência entre os módulos. “Para cada módulo lançado, existe uma sustentabilidade em torno, de modo que ainda hoje a gente tem demanda para os temas dengue, hanseníase e tuberculose, por isso que um módulo não substitui o outro”, lembra ela, que aproveita para explicar o motivo de levar as palestras para os canteiros.

“Plagiando o grande cantor e compositor [Milton Nascimento], ‘todo artista tem de ir aonde o povo está’. É lá o meio principal, de vivência, onde você pode buscar e encontrar um grupo maior, alcançar um quantitativo significativo de pessoas. O projeto Construção Saudável já ocorreu nos escritórios das empresas. Até porque o trabalhador da construção não é só o operário: ele é também aquele profissional de RH [Recursos Humanos] que está fazendo a folha de pagamento, aquele que está no almoxarifado fazendo a gestão de compras para os canteiros de obras”, observou Eliana.

 

Público-alvo participa e aprova sequência

Depois de quatro anos de existência, os números do Construção Saudável indicam que se trata de uma iniciativa que deu certo e que é cada vez mais promissora. Os quantitativos alusivos ao público já alcançado e de trabalhadores que apoiam a continuidade da ideia são absolutamente expressivos. E até 2018 o projeto deve atingir, com as quinze temáticas, a meta mínima de oito municípios e 30 mil colaboradores de 120 empresas.

De 2011 até o primeiro semestre deste ano de 2015, nada menos que 20.910 profissionais participaram das palestras dos módulos I (dengue,hanseníase e tuberculose), II (DSTs, alcoolismo e tabagismo) e III (diabetes, hipertensão e lombalgia). O primeiro módulo foi o que concentrou o maior número de participantes: 13.996. Em 2011, o projeto começou com impressionantes 3.687 pessoas.

Considere-se que de um total de 16.771 trabalhadores avaliados sobre o nível de satisfação com os conteúdos, nada menos que 16.532 sinalizam positivamente, afirmando que as expectativas foram correspondidas, o que equivale a 98,5% da soma geral de operários. Outros 16.546 declararam que a temática escolhida contribuirá para a realização de “um trabalho mais consciente” (o mesmo que 98,6%).

Durante o período de quatro anos, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) foram o assunto mais solicitado entre 16.995 apreciações: 2.795 optaram por essa abordagem. Hanseníase,com 95 proposições, compôs o quadro de 372 profissionais com suspeitas da doença. Eles fizeram parte de um universo de 1.246 trabalhadores atendidos no setor de saúde do Sinduscon-PA em 2011.

Conforme levantamentos, houve 407 casos de afastamento do trabalho em razão de enfermidades consideradas sob controle pelo serviço público. Tuberculose, por exemplo, estava relacionada.

 

Depoimentos
Valorização e unanimidade à causa

Avaliações positivas, perspectivas auspiciosas e planos diversos já estão sendo feitos por todos aqueles que participam do Construção Saudável. O mesmo ocorre com os que reforçarão essa “corrente do bem”. No apanhado de declarações a seguir, nota-se um consenso sobre a importância da ação socioeducativa para o setor da construção e o desejo único de crescimento e vida longa ao projeto.

Aguinaldo Alcântara, presidente da Fetracompa
É de suma importância porque é um projeto que se refere aos trabalhadores, é direcionada a eles. A metodologia que estão aplicando nesse projeto, a forma de condução... É importante demais ouvir
aquele que realmente necessita do esclarecimento a respeito do conteúdo que está sendo colocado nessa iniciativa.

Roberto Paes, coordenador do Programa Municipal de DSTs/Aids e Hepatites Virais (Sesma)
É muito importante a parceria com o projeto Construção Saudável exatamente porque a gente necessita estender as ações preventivas para as instituições de classe. Estabelecer parceria com esse sindicato é fundamental para fazer o compartilhamento das informações e evitar doenças.

Antônio Carlos Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de São Miguel do Guamá.
“Percebi que nós estamos elaborando um projeto que também é voltado para a educação do trabalhador. Na palestra sobre a proposta de interiorização do Construção Saudável percebi o quanto foi importante
ter participado. Viemos com o proposito de fortalecer o projeto para o município de São Miguel.

Antônio Fonseca, secretário geral da Fetracompa
A parceria [com o Sinduscon-PA] será muito importante para nós da Federação e dos sindicatos filiados. Queremos levar esse projeto ao interior do Estado, principalmente àquele interior que está muito longe da capital. Muitos municípios ficam longe da própria entidade sindical, e a importância é muito grande para a prevenção a doenças.

Valdir Vasconcelos, técnico de segurança do trabalho da empresa Quadra Engenharia Ltda.
As palestras do projeto ajudarão muito na qualidade de vida dos trabalhadores, influenciando diretamente na produção no canteiro de obra. Trabalhador bem informado é sempre bom porque traz um resultado positivo para a empresa. O trabalhador mais consciente produz melhor.

Cássio Oliveira Araújo, gestor de obras da Sintese Engenharia.
Tem muitos assuntos que convivemos no dia a dia e esse projeto vem orientar o trabalhador. Isso evita que tenhamos uma redução em nossa obra com o advento de problemas de saúde. A partir das palestras os trabalhadores adotam a prática com essa orientação.

Antônia Arcângela, secretária sindical em São Miguel do Guamá
O projeto Construção Saudável, leva ao trabalhador todas as informações que ele pode absorver de bem, como na saúde, que é um direito. Nós, sindicalistas, elaboramos um projeto que também atende a esses colaboradores. Por meio de pesquisa sentimos a necessidade de levar para a classe a parte preventiva, e daí surgiu a ideia desse projeto.

Feliznaldo Lisboa Soares, presidente sindical em Moju.
Esse projeto já deveria existir há mais tempo. Nossos municípios são bem carentes desse tipo de palestras e avisos. Eu acredito que, em breve, esse projeto estará dentro do município de Moju, e terá uma força muito grande. Sabemos que o segmento da construção é um dos mais carentes para evitar problemas clínicos. A prevenção é sempre melhor, seja em qual for a área.

Alberto Alexandre dos Santos, técnico em segurança do trabalho e secretário de saúde do trabalho da Fetracompa.
Todo o projeto que trata de saúde e segurança do trabalho da construção civil é visto com bons olhos por todos nós, que desenvolvemos esse trabalho. O projeto ajuda no desempenho das nossas funções e torna mais sociável o ambiente de trabalho. Quanto à sua interiorização, vai ganhar dimensão muito maior na qualidade da prestação dos serviços.

Gilmar de Oliveira Corrêa, secretário sindical de Salinópolis.
O Construção Saudável é um projeto importante e que a gente precisa levar para a construção civil da nossa localidade. Ele fala de saúde e segurança do trabalhado e, com certeza, será bem absorvido e aceito em Salinas. O projeto tem tudo para chegar a todas as localidades paraenses e ser um sucesso, até porque tem uma proposta inovadora.

Elis Regina, engenheira de segurança do trabalho da Paulitec Construções.
É importante o projeto Construção Saudável porque, depois das palestras, os trabalhadores sempre comentam sobre o tema abordado. Eles sempre dão retorno, sugerem outros assuntos, comentam entre si e perguntam quando será a próxima palestra. Percebemos que há uma predisposição para o aprendizado das orientações que são repassadas nas palestras dadas nos canteiros de obras.

 

 

Iniciativa inédita leva Sinduscon a obter título de utilidade pública do Pará

A realização do projeto Construção Saudável foi um dos fatores citados em justificativa pelo deputado estadual Celso Sabino (PSDB) para tornar o Sinduscon-PA órgão reconhecido de utilidade pública no Estado por meio de projeto de lei ordinária aprovado neste mês de junho, de forma unânime, em sessão realizada antes do recesso e já sinalizada com aprovação do governo.

Além de destacar o Construção Saudável e o alcance de trabalhadores beneficiados, o parlamentar ressalta os produtos editoriais “Manual de Garantias”, que chegou à segunda edição, o “Manual de Incorporações Imobiliárias”, lançado em 2011, além da publicação regular do informativo “O Construir” desde 2004.

Celso Sabino, ex-titular da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seter), diz no projeto que “nos últimos 16 anos esse sindicato priorizou o desenvolvimento da indústria da construção paraense por meio da prestação de serviços às construtoras e cadeia produtiva do setor da construção, destacando-se como um dos sindicatos mais atuantes na atenção empresarial e no alinhamento de ações direcionadas aos construtores, colaboradores, parceiros e fornecedores”.

O deputado, que citou no documento que o Sinduscon-PA congrega mais de 100 empresas associadas e cerca de 5.600 sindicalizadas, ponderou que com suas atividades “busca promover o crescimento do setor que representa e incorpora também em sua missão interagir com o poder público, na condição de órgão técnico e consultivo, no estudo, desenvolvimento e gerenciamento de soluções e programas que agreguem valor às suas representadas”.

Celso Sabino salientou também que a partir de 2004 o sindicato “amplia parcerias para a implementação de diversas ações voltadas ao fortalecimento intersindical da cadeia produtiva da indústria da construção e disponibilização de vários serviços direcionados ao desenvolvimento das empresas representadas (...)”.

EXEMPLO – O político paraense enfatiza que o Sinduscon-PA já recebeu o prêmio nacional de responsabilidade  social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em 2007, láurea à qual concorre no segundo semestre deste ano de 2015 com o projeto Construção Saudável.
“Entendemos que o Construção Saudável alcançou um nível de maturação, participação e de envolvimento tão bonito, que pretendemos tornar mais pública para o setor, em nível nacional, essa experiência. Quiçá outros Sinduscons, outras entidades possam estar desenvolvendo experiências semelhantes com o trabalhador”, espera a gestora da Central de Serviços do Sinduscon-PA Eliana Veloso Farias.

 

 

Sindicato concorre pela segunda vez a prêmio de responsabilidade social

Com as credenciais do projeto pioneiro Construção Saudável, o Sinduscon-PA volta a disputar, em setembro, o Prêmio CBIC de Responsabilidade Social, láurea que chega à 11ª edição em 2015. A premiação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção é realizada por meio de seu Fórum de Ação Social e Cidadania (Fasc), cujo objetivo é, segundo a justificativa institucional, “fortalecer e estimular o desenvolvimento de ações sociais na construção e no mercado imobiliário, criando um mecanismo de reconhecimento dos esforços conjuntos do setor na busca por uma sociedade com melhor qualidade de vida”.

O Sinduscon-PA entra na disputa pela segunda vez ao eminente reconhecimento da CBIC, uma vez que já recebeu o mesmo título em outubro de 2007, durante o 79º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), graças ao “Projeto Construir”, que envolvia alfabetização de trabalhadores. “Neste ano o prêmio vem com um novo formato, atraindo várias categorias, fazendo reconhecimento de experiências isoladas de trabalhadores”, afirmou a gestora da Central de Serviços e coordenadora do projeto Construção Saudável, Eliana Veloso Farias. “É interessante para a gente socializar a nossa experiência e aprender com a experiência dos outros atores dos outros Sinduscons, das construtoras dos outros Estados e fazer do Construção Saudável uma via de mão dupla.”

A entidade promotora concederá o prêmio aos projetos com a maior pontuação em seu processo de avaliação. De acordo com o regulamento, se houver empate entre trabalhos concorrentes entre os Sinduscons  concorrentes, a decisão definitiva pelo vencedor será tomada pelo presidente da Comissão Julgadora.

Da primeira vez, o Sinduscon-PA disputou com o “Projeto Construir - Construindo Responsabilidade Social”, que ofereceu serviços voltados aos trabalhadores do setor no Estado por intermédio da Central de Serviços. O trabalho foi desenvolvido com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Pará (Sebrae/PA), Fetracompa, Serviço Social da Indústria (Sesi/PA), Clube de Engenharia do Pará (Cep), Faculdade Ideal (Faci) e a Casa da Criança.

Mobilizada pelo direção da Central de Serviços, a equipe técnica preparou o material necessário e que atendia com rigor as normas estabelecidas de participação, incluindo a produção de um videodocumentário.

 

Seis canteiros recebem palestras e módulo III é instalado com elogios

Um total de 684 trabalhadores participou das palestras de prevenção e cuidados à saúde dos módulos  I, II e III do projeto Construção Saudável e que foram realizadas pela equipe da Central de Serviços do Sinduscon-PA no período de 1 de junho a 1 de julho em seis canteiros de obras de Belém das empresas de engenharia Sintese, Quadra, Benemérita Sociedade Portuguesa, Senenge, Paulitec e Urbe 01.

Com mais uma aplicação do módulo I (que detalha os riscos e cuidados referentes à dengue, tuberculose e hanseníase), foram contemplados 115 trabalhadores da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará. A palestra foi conduzida no dia 1º de junho no canteiro São João de Deus, que funciona no Umarizal. O servente Anderson de Lima Paes, 38, foi um dos que saíram satisfeitos com o conteúdo oferecido. “Adorei, aprendi mais sobre essas doenças e, com certeza, colocarei em prática tudo o que nos foi passado”, garantiu.

O módulo II do Construção Saudável (que aborda aspectos alusivos às Doenças Sexualmente Transmissíveis, tabagismo e alcoolismo) fora aplicado para 61 colaboradores da Senenge Engenharia Ltda. no dia 3 de junho. A técnica de segurança do trabalho da construtora, Micele Silva e Silva, 33, que tem quatro anos de atuação, destacou a parceria.

“Acredito que a realização dessas palestras faz com que os trabalhadores fiquem mais conscientes sobre determinados problemas de saúde”, observou. A técnica disse que a empresa já está agendando o módulo III para mais de setenta empregados.

Com a abertura do módulo III, dia 23, cuja temática foi “Doenças crônicas: lombalgia, hipertensão e diabetes”, o ciclo teve início no canteiro Torre Cristal da Sintese Engenharia Ltda., localizado no bairro de Nazaré, no qual participaram cerca de 158 trabalhadores, que fizeram diversos questionamentos e tiraram dúvidas com a instrutora Jackline Quadros. “Eles manifestaram um interesse muito grande pelos novos temas que estamos oferecendo”, constatou ela.

O gerente de qualidade da empresa, Linevaldo dos Santos Furtado Junior, 29 anos, há quatro na função, elogiou o nível do novo módulo e destacou a importância das orientações técnicas sobre as enfermidades. “As palestras beneficiam diretamente os trabalhadores, fazendo com que eles se conscientizem da importância de prevenção às doenças abordadas”, afirmou. “Todas as informações absorvidas fazem com que olhem com mais cuidado para a própria saúde”, entende ele. Na sequência, dia 24, a Quadra Engenharia Ltda. teve 85 profissionais do canteiro City Bay, situado no Umarizal, participando da palestra do novo módulo. Dia 26, 83 trabalhadores da Paulitec Construções receberam o módulo III no canteiro do Utinga.

No período de 29 de junho a 1 de julho, a empresa Urbe 01 Construções e Empreendimentos Ltda. recebeu palestras do módulos I para 182 colaboradores em seu canteiro La Place, em atividade no bairro de Batista Campos.