Construção Saudável - Informativo

BOLETIM INFORMATIVO - ANO 11 - Nº 134/NOVEMBRO 2016
04/11/2016
Pro Paz palestra sobre violência doméstica para 100 operários da construção civil

Cem operários da construção civil debateram um assunto ainda tido como tabu para o público masculino: a violência doméstica
Foto: Cláudio Santos/ Ag. Pará
O trabalhador da construção civil Mário Ferreira (34) iniciou suas atividades de maneira diferente na manhã desta sexta-feira, 4, no canteiro de obras de uma construtora, localizado na Rodovia Mário Covas, em Belém. Ele integrou um grupo de outros 100 operários para debater um assunto ainda tido como tabu para o público masculino: a violência doméstica. De acordo com o profissional, casado e pai de dois filhos, foi a primeira vez, em dez anos de atuação nesta área, que participou de uma palestra sobre o assunto.
“Achei esse momento muito importante. Inclusive, pude identificar situações próximas em que mulheres são humilhadas e têm seus direitos violados. É muito importante esse tipo de trabalho, pois a violência doméstica é mais comum do que a gente imagina e o homem precisa atentar para isso e proteger a sua família”, opinou.
O projeto foi idealizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Pará (Sinduscon), mas agora conta com a parceria da Fundação Pro Paz, por meio do Pro Paz Mulher, e Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE/PA), que desenvolve o programa “Mãos à obra –trabalhadores no combate à violência contra a mulher”, da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência. De acordo com o sindicato, as palestras surgiram de um levantamento de necessidades da sua Central de Serviços e a violência contra a mulher foi um dos temas escolhidos pelos próprios trabalhadores.
“Vamos lançar uma parceria muito maior com o Pro Paz, aproximando ainda mais o público da indústria da construção paraense com os serviços da fundação e do tribunal. Nossa expectativa é a melhor possível, pois queremos trabalhadores felizes, emancipados dos seus sentimentos, com desenvolvimento crítico e empoderamento cidadão”, detalhou Eliana Farias, gestora da Central de Serviços da Sinduscon.
Para a assistente social do Pro Paz Mulher, Patrícia Brito, é preciso democratizar conhecimento e quebrar os tabus.“Geralmente, pensam que essas informações precisam chegar apenas às mulheres, mas as estatísticas mostram que o homem é o agressor e muitos deles são agressores inconscientes. Falar da Lei Maria da Penha, mostra essas formas de violência, os males que elas causam às vítimas e como um criminoso é punido são temas fundamentais para que muitas violações sejam evitadas”, esclarece.
Já para o TJE, integrar o projeto é um passo importante para a garantia de direitos. “Hoje estamos falando para homens que não teriam tempo de ouvir sobre este tema em outros lugares, por conta do trabalho. Nosso maior desafio é desmistificar o preconceito com a Lei Maria da Penha e mostrar a eles a importância dessa lei para a sociedade”, explicou.
Fonte: Agência Pará, por Nil Muniz
http://www.agenciapara.com.br/Noticia/137832/pro-paz-palestra-sobre-violencia-domestica-para-100-operarios-da-construcao-civil


Guerra’ contra Aedes é intensificada

Com o período chuvoso, o Pará sofre a iminência de uma epidemia anunciada. As doenças transmitidas pelo Aedes aegypti dispararam em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde (MS). Os casos de Chikungunya aumentaram 889,60%. A dengue registrou aumento de 43,73%. O levantamento indica ainda que foram 4.291 casos suspeitos de Zika, 95 deles suspeitos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso provocados pela doença.
O avanço do mosquito ocorre graças ao saneamento básico do Estado, considerado precário, o que induz a população a armazenar água em baldes ou a conviver com alagamentos nas ruas. Além disso, de acordo com o LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti), o lixo representa o principal risco de criadouro do inseto vetor. O MS e o Sinduscon-PA entendem que não se pode perder vidas para o lixo e o acúmulo de água. Nesse cenário, a informação é considerada fundamental.
Por isso, o Sinduscon-PA inicia 2017 com a missão de potencializar o combate ao mosquito por meio do projeto Construção Saudável+, levando aos canteiros de obras da Região Metropolitana de Belém (RMB) palestras para divulgar ações que podem evitar o surgimento de focos do Aedes aegypti, além de métodos de prevenção às doenças, locais de realização do exame, sintomas e tratamentos, tudo em busca de preservar a saúde dos trabalhadores e suas famílias. O alerta é direcionado para o perigo de possíveis criadouros nos canteiros de obras, ambientes domésticos, em calhas, entulhos, lixo e recipientes com água parada, como baldes e pneus.
As ações educativas já começaram. No dia 30 passado, o Sinduscon-PA promoveu no canteiro de obras “São João de Deus”, da empresa Link da Amazônia, palestra sobre as doenças transmitidas pelo mosquito. Mais de 200 trabalhadores foram beneficiados.

APROVAÇÃO

O pedreiro Darielson Ramon Lopes foi um dos colaboradores atentos à palestra. “Muitas pessoas não têm consciência do perigo dentro da sua própria casa, da sua família”, observou. “Primeiro, a gente pensa que não acontece com a gente, mas quando alguém da família adoece temos noção da importância de momentos como esse de debate, de conversa, de informação. Poucas vezes temos essa oportunidade.”
A técnica de Segurança do Trabalho Cristiane Miléo, cinco anos atuando na construção civil, declarou que o projeto é um apoio ao trabalho desenvolvido no dia a dia. “Para nós da segurança do trabalho, ele abrange orientação, traz material educativo, é um apoio a mais”, considerou. “Eu percebo que os trabalhadores ficam atentos e a absorção é bem maior quando o projeto vem para dentro do canteiro, vem para a frente de serviço”, afirmou. “Veja que não ficou nenhum impresso de divulgação aqui, eles levaram para repassar a informação, e para mim isso é eficaz. Quem dera ter vocês sempre aqui. Vem aí o Carnaval, já vamos fazer o agen-damento para DSTs e alcoolismo”, concluiu.

Projeto tem números expressivos

O vice-presidente do Sinduscon-PA, Alex Carvalho, defendeu importância das construtoras “abraçarem o projeto” e oferecerem aos seus trabalhadores “informações que podem preservar a saúde e o bem-estar”. “Mesmo com a redução do número de canteiro de obras, consequência da recessão financeira que atravessamos, nossas ações continuarão firmes”, garantiu. “Para conseguirmos manter essa atuação nos canteiros, convocamos as construtoras e fazemos o convite para que sejam nossas parcerias e abram as portas das obras para o Construção Saudável+”, explicou o dirigente.


Em 2016, outra meta importante foi alcançada pelo Sinduscon-PA. Cerca de 10 mil trabalhadores foram beneficiados com as palestras educativas promovidas em 46 canteiros de obras na RMB. O sucesso das ações é constatada no histórico do projeto Construção Saudável+ em cinco anos de atividades, o projeto atingiu até agora 34.163 trabalhadores, com a participação de 176 empresas e 270 canteiros de obras.