Sinduscon-PA / 2015

Notícias

Crédito imobiliário cai 62% em abril, aponta pesquisa da Abecip

Postado em: 15/06/2016

O volume de crédito imobiliário concedido em abril apresentou queda de 62% em relação ao mês anterior. No período, a quantidade de imóveis financiados reduziu 67,7% na comparação a março. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Ao todo, foram R$ 3,5 bilhões financiados no quarto mês do ano com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), enquanto o valor de abril de 2015 ficou em R$ 9,2 bilhões. No mês de março de 2016, essa quantia foi de R$ 4,4 bilhões.

Para o presidente da Abecip, Gilberto Duarte de Abreu, os números traduzem a realidade da crise. "O ciclo começa com os níveis de confiança do consumidor caindo muito, com as pessoas ganhando menos dinheiro e o consequente adiamento da compra de um imóvel. Além disso, há o fato de o crédito imobiliário ser uma dívida de longo prazo que, no atual cenário, depende das altas taxas de juros", explica.

Foram 14,4 mil imóveis financiados no mês de abril, nas modalidades de aquisição e de construção. O número representa uma queda de 26,6% em relação ao observado em março (19,6 mil imóveis) e um recuo de 67,7% em relação ao mesmo mês do ano passado (44,6 mil imóveis).

Para o sócio da consultoria GoOn, Eduardo Tambellini, a falta de confiança no setor está relacionada à queda dos imóveis financiados e, consequentemente, a uma maior quantidade de estoque e menor necessidade de produção.

"Estamos passando por um momento em que todo o setor de financiamentos está sofrendo o impacto da crise. Vemos empreendimentos, feitos com contratos de compra e venda, com cerca de 40% das unidades devolvidas pelo difícil acesso ao crédito imobiliário, e tendo que conceder descontos para liquidar esses imóveis. Então, seja pela maior seletividade para empréstimos ou pela própria dificuldade no pagamento de parcelas do financiamento, chegando à inadimplência, o crédito imobiliário seguiu uma forte tendência de retração", analisa.

Em relação aos sistemas de financiamento, o diretor comercial do Banco Intermedium, Marco Túlio Guimarães, defende a tendência à melhora do cenário econômico, apesar da maior seletividade bancária e dos níveis de inadimplência.

"Com a queda da poupança, os bancos grandes que participam do SFH [Sistema Financeiro de Habitação] reduziram o crédito concedido, o que acabou por deixar mais clientes para o mercado que atua com o SFI. Além disso, com a alienação fiduciária [quando o imóvel, para garantia de quitação da dívida, passa a ser propriedade do credor] funcionando bem no Brasil, os clientes têm optado por deixar a dívida do imóvel prioritária. É algo que, mesmo sentindo a inadimplência, nos deixa confortáveis com o crédito", defende Guimarães.

Os cinco maiores bancos do Brasil (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) apresentaram aumentos significativos no saldo de crédito imobiliário do primeiro trimestre do ano. Isso mesmo com as taxas de juros do SFH alcançando uma média próxima a 12% ao ano e das maiores provisões devido a possíveis calotes.

O maior aumento nesse sentido foi do BB, que chegou a R$ 50,3 bilhões em março deste ano. O crescimento correspondeu a 22,6% em 12 meses. Em seguida vieram o Bradesco (R$ 50,4 bilhões; +17,1%), Santander (R$ 26,5 bilhões; +16,6%), Itaú (R$ 46,3 bilhões; +14,3%) e Caixa (R$ 388,9 bilhões; +9,8%).

http://construcaomercado.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/credito/credito-imobiliario-cai-62-em-abril-aponta-pesquisa-da-abecip-371246-1.a