Sinduscon-PA / 2015

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Construtores querem programa de volta

Postado em: 17/07/2017

Minha Casa, Minha vida poderá trazer de volta os empregos no setor

Desde o início da crise econômica, em 2015, até este ano, o Brasil já perdeu mais de 1,5 milhão de empregos no setor da Construção Civil. O número é maior que toda a população de Belém, com 1.446.042, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016. A informação é da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que prevê ainda que o setor tenha queda de 2,5% em 2017. 
O Banco Central prevê crescimento de 0,5% na economia do país este ano. Uma das possibilidades para se alcançar este número é a geração de emprego no setor por meio do programa federal ‘Minha Casa, Minha Vida’, que possui o total de R$ 2,6 bilhões para investimento em habitação na região Norte, em 2017. A construção de cada unidade habitacional gera pelo menos quatro empregos diretos, estima a CBIC. 
“Nesse tempo já perdemos mais de 1,5 milhão de empregos. Se considerarmos que são famílias, então, é toda a população do Amazonas. Vimos que é muito grave o que está acontecendo no Brasil. A crise econômica está relacionada à crise política, porque esta gera falta de credibilidade e, com isso, as pessoas não decidem pelo investimento e, como consequência, diminui a construção. Enquanto a economia não se equilibrar realmente não acontecerá estabilidade efetiva do setor”, afirmou José Carlos Martins, presidente da CBIC. 
Martins esteve presente no Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção (FNNIC), ocorrido ontem na sede da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), no bairro de Nazaré, em Belém. O evento teve como principal debate a situação atual do programa federal ‘Minha Casa, Minha Vida’ para ambas as regiões. Segundo informações da Caixa Econômica Federal, para investimentos em habitação em 2017 pelo programa na região Norte a Caixa conta com R$ 600 milhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), dos quais R$ 200 milhões já foram aplicados e R$ 400 milhões ainda serão investidos. 
Além disso, a Caixa possui R$ 2 bilhões oriundos de outros tipos de aplicações para também investir em habitação pelo programa nessas regiões. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon Pará), desde sua criação, em 2009, até 2017, o ‘Minha Casa, Minha Vida’ já atingiu no Pará mais de 80 mil unidades habitacionais contratadas, isto é, obras entregues ou em execução. Em 2017, das 100 mil unidades no Brasil, cerca de 5 mil unidades para novas contratações estarão disponíveis para o Pará, das quais cerca de 1,2 mil já foram selecionadas. 
Presidente do Sinduscon Pará e vice-presidente da CBIC, Alex Dias Carvalho explicou que o fórum é uma reunião que acontece duas vezes ao ano e congrega todos os Estados da região Norte e Nordeste, que compõem a CBIC, para discussões de assuntos de caráter regional. “O debate regional aproxima nossos anseios ao ponto central, em Brasília (DF), no quesito que tratamos hoje, em especial o ‘Minha Casa, Minha Vida’, pela importância que o programa tem para as regiões. O programa pode incrementar o setor e almejamos que a iniciativa seja uma janela de oportunidade, para que haja ja retomada de crescimento do setor tendo como foco principal o ganho de emprego”, destacou Carvalho. 
 
Cada unidade habitacional construída
gera pelo menos quatro empregos
 
O presidente do Sinduscon Pará frisou que o programa foi responsável por grande parte da empregabilidade no Pará, e quando começou a escassez de recursos do governo federal, a partir de 2014, foram paralisadas as contratações, com grande impacto nas obras em andamento. “E, na medida em que foram acabando as contratações, não tiveram novas. No primeiro semestre deste ano já foi anunciado o primeiro processo seletivo de novas contratações ao segmento de habitação popular. A presidência da Caixa informou que terá este mês o segundo chamamento. Para nosso setor isso é muito importante”. Carvalho enfatizou a relevância do programa para a geração de emprego. “Para cada unidade habitacional contratada calculamos que gera quatro empregos diretos. Esse é um incremento muito forte ao setor da Construção Civil e estamos com grande preocupação com a empregabilidade do setor. Se esta estiver boa, o setor vai se auto alimentar e gerar benefícios, então o foco principal da retomada perpassa pela retomada de emprego e condições melhores de trabalho”.
Segundo ele, o Sinduscon busca sinergia junto aos governos municipais e estadual, para que haja ambiente cada vez mais favorável à aplicação desses recursos, como a relação das concessionárias de água, esgoto e energia, a desburocratização dos licenciamentos ambientais, enfim, “tudo que possa ser feito de forma responsável e que dê agilidade nesse processo”, disse o presidente do Sinduscon Pará. 
Ao final do evento, documento foi elaborado contendo registro dos anseios e reivindicações da classe que será encaminhado à CEF, Ministério das Cidades, órgão que regulamenta o programa, e à CBIC, que faz a interlocução do assunto em Brasília.
 
 

Fonte: Jornal O Liberal, caderno Poder, 16