Sinduscon-PA / 2015

Notícias

Responsabilidade Social Corporativa

Postado em: 31/07/2017

Como gerir sua cadeia produtiva de forma eficiente e responsável

O setor de construção civil apresenta relação direta com o meio ambiente - no que diz respeito à utilização de recursos - e com a sociedade, por ser o segmento de mercado que atende a uma das necessidades primárias do ser humano: a moradia. Importante indicador socioeconômico de desenvolvimento, destaca-se o seu papel social de gerador e distribuidor de renda na cadeia produtiva onde está inserido ao empregar milhares de pessoas como mão de obra.

Porém num período de forte retração econômica e diante de um mercado global e competitivo, a terceirização tomou-se para as empresas da indústria da construção civil uma opção inteligente de gestão empresarial. Isso porque esse padrão favorece, entre outros fatores, ganhos na produção ao otimizar o tempo, evitando os problemas ocasionados pela rotatividade de funcionários. Diminui-se o custo, eliminam-se as preocupações pelos serviços não relacionados diretamente à obra, aumenta-se o foco e melhora-se o desempenho nas atividades principais. Por ser específico, o setor terceirizado conta com uma equipe experiente e qualificada para executar o trabalho designado. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% das empresas, dentre as quais se enquadram as de construção civil, utilizam serviços terceirizados. Além disso, o mesmo estudo aponta que 84% destas companhias pretendem manter e ampliar o uso deste modelo.

Contudo, essa não é uma escolha tão simples, e diversos fatores devem ser levados em consideração antes de assinar um contrato de prestação de serviços. Tanto aumentar a equipe interna quanto terceirizar têm suas vantagens, e para determinar o melhor modelo, é importante analisar cuidadosamente o cenário e as necessidades de cada caso, observando itens como:

Custos: sempre um dos primeiros quesitos a serem avaliados, possui grande influência na decisão final. Os valores investidos em cada modelo de trabalho variam de acordo com a demanda da empresa.

Qualidade: é fundamental levar em conta o preço gasto aumentando-se a equipe ou terceirizando-se. No primeiro caso, será preciso qualificar e lapidar os novos profissionais, adequando-os aos padrões de qualidade da construtora. Na hipótese da terceirização, o projeto, ou parte dele, será delegado a uma equipe de profissionais com um padrão de qualidade por vezes desconhecido pela empresa. De todo modo, isso não significa que a qualidade da entrega será inferior.

Bi-tributação: é necessário checar se o modelo de contrato de empreitada prevê (ou não) fornecimento de material; se esse fluxo não estiver bem amarrado com outros setores pode haver a dupla cobrança de tributos em cima de insumos utilizados. Ou seja: tanto ser pago pela empresa contratante, quanto pela contratada.

Prazos: é impossível definir qual das duas opções irá garantir melhor performance junto aos prazos das entregas. Dependendo do andamento da obra, uma pode ser melhor opção que a outra.

Segurança: independentemente do modelo de trabalho escolhido, a empresa deve garantir a segurança dos trabalhadores que executam sua obra para evitar futuros processos trabalhista e, principalmente, acidentes de trabalho no canteiro de obras. Se o trabalhador não for registrado, no caso de acidente não importará se o profissional foi contratado para prestação de serviços ou negociação informal, a construtora será responsabilizada pelo ocorrido do mesmo jeito.

"O subempreiteiro e um dos elementos mais importantes na cadeia da construção civil hoje e investir no seu desenvolvimento ajuda a fortalecer os negócios do setor". Ricardo Blás

Para Ricardo Blás, Diretor-Presidente da MRL Engenharia, todos os cuidados devem ser tomados a fim de mitigar os imprevistos. Os seus colaboradores, próprios ou terceirizados, passam por diversos treinamentos e todos eles só podem exercer suas funções depois de habilitados. "Ambos recebem os mesmos benefícios e existe da nossa parte uma fiscalização rigorosa para que não haja nenhuma não conformidade com o que é exigido pela legislação. Dessa forma estamos nos protegendo e protegendo também quem presta serviço à nossa empresa" - conta. Ricardo explica ainda que a mecânica é exatamente igual em todas as 144 cidades onde a MRV tem negócios. Os subempreiteiros passam por treinamentos online e presenciais e são utilizados inúmeros mecanismos de gestão. O "Pódio", uma rede social empresarial onde há a gestão da qualidade dos alojamentos, é um deles. Além disso, a MRV I criou um departamento especifico para administrar os terceirizados e apoiá-los em todos as suas necessidades.

O Seconci-Rio também ajuda o empresário nesse processo através do Programa de Desenvolvi- r mento de Empreiteiras, que visa o aumento da competitividade, da qualidade e da redução dos custos no gerenciamento do próprio negócio. Segundo o Vice-Presidente do Seconci, João Manuel Martins Fernandes, esse é um curso pioneiro que permite ao empreendedor desenvolver a sua empresa com gestão.

Seu principal objetivo é, após 10 encontros distribuídos em 80 horas, preparar os empreiteiros para uma administração mais eficiente nas áreas de Conformidade Legal e Financeira, Saúde, Administrativa, RH, Segurança e Meio Ambiente através de aulas teóricas que fomentem a discussão entre os participantes por meio de cases e atividades. "O subempreiteiro é um dos elementos mais importantes na cadeia da construção civil hoje e investir no seu desenvolvimento ajuda a fortalecer os negócios do setor" - conta.

 

Novo modo de gerir

Negócios e pessoas

Em pleno século XXI, é observada uma mudança no comportamento empresarial tradicional que vem agregando valor para as empresas e engajando organizações para um objetivo amplo, que perpassa o de caráter estritamente económico. Novos modelos de gestão estão focados na melhor utilização dos recursos e nos impactos que as atividades que o segmento podem acarretar à sociedade.

A Responsabilidade Social Empresarial nunca esteve tão em evidência, e hoje se relaciona diretamente a uma concepção de empresa que, mesmo buscando resultados económicos, tem como objetivo gerar impactos positivos para a coletividade em que está inserida. E essa consciência começa dentro de casa, na própria empresa, a partir do cuidado com os seus funcionários e a postura que adota em todos os seus procedimentos internos.

 

 "...buscamos também assegurar condições de trabalho adequadas quanto aos aspectos de segurança, saúde e cumprimento das obrigações trabalhistas para a mão de obra terceirizada" Guilherme Tonelli

 

Guilherme Tonei, Diretor de Engenharia da RJZ Cyrela, conta que a empresa possui um programa de gerenciamento de empreiteiros, chamado "Programa Empreiteiro Legal". Ele tem início logo na contratação e segue três etapas fundamentais:

1. Contratação do empreiteiro: E realizado o levantamento das empresas de acordo com o serviço a ser realizado. As mesmas são previamente- te qualificadas pela área de suprimentos, sendo parte integrante de um banco de dados. Após identificação das empresas, as mesmas são convidadas a participar do processo de concorrência, onde são informadas sobre os requisitos necessários para a * prestação de serviços na RJZ Cyrela. Estas informações são repassadas mediante Carta Convite e entrega do Manual do Empreiteiro Legal, que tem como objetivo apresentar ao empreiteiro ou demais empresas contratadas as diretrizes iniciais de qualidade, segurança, saúde e meio ambiente, visando garantir que as atividades sejam realizadas dentro dos padrões da empresa e das normas e requisitos legais aplicáveis. Após a realização da concorrência, a empreiteira selecionada assina o contrato de prestação de serviços.

2. Preparação para início das atividades: Após a assinatura do contrato e antes de iniciar os serviços, a empreiteira precisa apresentar a documentação inicial, que é composta pela Certidão de Feitos Trabalhistas, Programas de Segurança e Saúde Ocupacional, entre outros. É neste momento que também são organizadas as instalações de vestiário (fornecimento de armários em número suficiente para atendimento ao efetivo da obra) e almoxarifado, entre outros recursos necessários para a execução das atividades contratadas.

3. Execução de Serviços no canteiro: Ao ingressar no canteiro, a empresa contratada. necessita apresentar a documentação dos colaboradores que estarão lotados na obra (Ficha de Registro, cópia da CTPS, Atestado de Saúde Ocupacional - ASO, Comprovantes de qualificação e treinamentos pertinentes à atividade, entre outros). Toda documentação é analisada por uma equipe multidisciplinar, composta pela administração da obra, técnico de segurança do trabalho e técnico de enfermagem do trabalho, com o objetivo de verificar o cumprimento dos requisitos legais e normativos vigentes. Vale ressaltar que a toda documentação é inserida pelas próprias empreiteiras via sistema de guarda de arquivos online. Deste modo, a análise é realizada em meio digital. O colaborador só inicia as atividades após a conclusão da verificação dos itens citados anteriormente e participação de treinamento de integração de segurança na obra. A continuidade do Programa Empreiteiro Legal é dada através de avaliações mensais, onde são estabelecidos critérios de pontuação, de acordo com requisitos como prazo, qualidade, segurança, documentação trabalhista e ficai e suporte técnico, avaliados por setores competentes.

Na RJZ Cyrela, todo o colaborador terçou- rizados e próprios participam das campanhas de QSMS e DSS - Diálogo Semanal de Segurança, ministrado pelo SESMT. As diretrizes para treinamentos estão descritas em procedimento interno, com conteúdo programático e carga horária padronizada. Além disso, são treinados em três requisitos distintos: no procedimento executivo (ministrado pela engenharia da obra, onde são orientados sobre a forma correta de execução dos serviços conforme procedimentos internos do SGI - Sistema de Gestão Integrado, incluindo instruções de segurança sobre o ferramental adequado, bem como o uso de EPIs), no treinamento de integração (ministrado pelos técnicos de segurança e de enfermagem da obra, para todos os colaboradores que ingressam no canteiro pela primeira vez e em casos de transferência de obras, tem como objetivo orientar os colaboradores sobre os riscos do canteiro e como preveni-los, bem como sobre os procedimentos em casos de emergências) e no treinamento periódico (ministrado pelos técnicos de segurança e de enfermagem, nas mudanças de fase de obra, tem como objetivo orientar os colaboradores sobre os ricos inerentes à etapa da obra que se inicia).

Ao buscar se aproximar ao máximo do empreiteiro, oferecendo diversos tipos de treinamento e fazendo reuniões regulares com os responsáveis das terceirizadas de forma preventiva e corretiva, a RJZ Cyrela constrói uma relação de longo prazo que é hoje também um de seus maiores capitais: "Assim, buscamos também assegurar condições de trabalho adequadas quanto aos aspectos de segurança, saúde e cumprimento das obrigações trabalhistas para a mão de obra terceirizada. Todos ganham." - conclui Tonelli.

 

Fonte: Guia Anual Seconci 2017 – Págs. 21 a 23