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Pará define sua plataforma de lutas para Fórum Alternativo das Águas

Postado em: 09/03/2018

 
A preocupação da sociedade civil paraense com o futuro das águas na região e no mundo, em particular com a privatização desse bem, será apresentada no Fórum
Alternativo Mundial da Água (Fama), a ser realizado em Brasília (DF), de 17 a 22 deste mês. O evento, em sua primeira edição, ocorrerá paralelamente à 8a edição do Fórum Mundial da Água (FMA), que reúne governos e corporações.
 
Integrante da Rede Paraense de Educação Ambiental (Rede PAE), José Oeiras informou, ontem, que no sábado, 3, foi realizada em Belém a Plenária das Águas, com a participação de representantes de 40 organizações da sociedade civil. “Nessa plenária foi aprovada uma plataforma de reivindicações relacionadas a água e saneamento, para apresentação e discussão no Fama. Essa plataforma reúne itens que consideramos como fundamentais para garantir o uso correto da água como bem e não como mercadoria”, afirmou Oeiras.
 
Na plataforma, os dirigentes de organizações civis defendem posição contrária à privatização do sistema de captação e distribuição de água no mundo. No caso da Amazônia, são defendidos os recursos hídricos da maior bacia hidrográfica do planeta e a implantação de comitês das bacias hidrográficas - órgãos colegiados de gestão do uso da água.
 
José Oeiras afirmou que foi firmada posição contrária à privatização da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Ele disse que a companhia consta de uma relação de empresas passíveis de privatização, segundo estudo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “No Pará. 56 dos 144 municípios paraenses são atendidos pela Cosanpa. Por isso, queremos que se amplie a capacidade de atendimento da companhia. Faltam investimentos, porque, por exemplo, 40% da água da Cosanpa em Belém são desperdiçados”, afirmou Oeiras.
 
Outro aspecto discutido na Plenária das Águas é que o Estado do Pará produz energia elétrica a partir do uso das águas, mas tem valor alto a taxa paga pelos paraenses à concessionária de distribuição da energia. Para completar, somente 8% da população em Belém dispõem de esgotamento sanitário. “A nossa maior preocupação é com a proposta do governo de privatizar as águas. Temos, por exemplo, o Sistema Aquífero Grande Amazônia, o Saga, com capacidade para abastecer o planeta por 250 anos. Esse e outros aquíferos são objetos de cobiça”, afirmou José Oeiras.
 
Da Plenária das Águas participaram organizações como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará (OAB-PA), Federação Nacional dos Urbanitários. Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri), Central Única dos Trabalhadores (CUT PA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Rede PAE.

Fonte: O Liberal